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Incluindo-me em uma sociedade não real: a minha.

Nostalgia.

domingo, 27 de junho de 2010
Tive uma longa conversa com o meu passado. Ele estava acanhado e apenas me mostrou um retrato; um retrato meu que estava guardado, estava preto e branco quase desbotado. O meu coração tremeu, meu corpo se remexeu e meus olhos ficaram úmidos. Olha o que você fez comigo, passado. A foto mostrou que eu esqueci do perfume do ambiente em que aquela foto foi tirada, esqueci do que eu estava pensando naquele momento em que eu sorria, esqueci até de quem estava junto. Esqueci de tanta coisa que foi tão importante para mim. Tudo isso foi a razão do meu sorriso gigantesco refletido na pequena fotografia. Como posso esquecer de tais coisas, passado? Como você fez isso comigo? São coisas que parecem tão irrelevantes em nossas vidas, mas fazem tanta diferença. Esses pequenos detalhes que fazem nossa vida ser o que é.
Palavra alguma explica qual é o sentimento de se deparar com o passado, mesmo que seja por uma fotografia. Muitos dizem não sentir nada, não os entendo. A dor fica atada, mesmo sendo fraca, fica atada. A dor de ter esquecido algo que eu tanto queria lembrar. Faltava vida em cada canto do meu corpo, mas tinha tanta na foto. Eu estava me sentindo abreviada, sem brilho algum.
O vazio me dominava, e domina ainda. O vazio encobre até o céu, e esconde dos meus olhos a lua. A lua das memórias, a lua das lembranças. Ah, passado, olha o que você fez. Ouço um pequeno grito, o grito que eu já conheço. É o grito da impotência, eu queria poder lembrar de tudo que já me fez feliz algum dia. Não estou te culpando memória, você não tem culpa, é só mais uma vítima como eu.
Todas essas pequenas coisas que acontecem em nossas vidas é que fazem nossas vida acontecerem. Como conseguimos viver sem essa parte? É como se faltasse algo, a razão por sermos quem somos. Nós nunca sabemos quem somos porque nunca lembramos quem já fomos. E nesse presente tão ligado com o passado, eu experimento o amargo da falta de memória, o amargo sumo.
Mas o que me conforta é que no fundo, nesse tempo que vai longe, sempre temos dentro de nós o nosso passado que de vez em quando aflora e se abre para nós. Aquele passado que ainda carrega o mesmo fascínio latente no peito que temos desde sempre, isso nunca é apagado. É só preciso de uma fotografia ou algo do tipo que é trazido de volta todo esse sentimento nostalgico que nos faz lembrar quem realmente somos e o por que de sermos quem somos. Olha o que você faz com nós, passado.

3 pitaco(s).:

  1. Mario disse...:

    Fodástico! "Nós nunca sabemos quem somos porque nunca lembramos quem já fomos"

  1. Joy disse...:

    A culpa é toda nossa. Não lembramos porque esquecemos que querer pensar sobre isso. Porque aceitamos pensar tanto em outras coisas que deixamos as coisas mais significantes passarem.
    E como o colega aí em cima falou, essa frase resume um montão de coisas!

  1. Adorei o texto. A felicidade é feita de momentos simples vividos com pessoas de suma importância. Se nos esquecemos quais momentos são esses, menos possibilidades de lembrarmos do passado e sermos felizes, teremos ;/

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