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Incluindo-me em uma sociedade não real: a minha.
  • Blockquote

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  • Duis non justo nec auge

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  • Vicaris Vacanti Vestibulum

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Outra crônica de amor.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O amor, 'ah... o amor. Acho que nunca cheguei a escrever algo sobre. Talvez alguns textos remetem ao assunto quando descrevo a música ou até episódios da minha vida, mas nada que fale claramente desse verbo tão letal. Nunca vi necessidade de escrever sobre o amor, na verdade nunca achei que fosse preciso. O amor é algo que dispensa palavras ou textos por todos saberem bem como é. Todos sentem, todos sabem definir. É a típica coisa que você aprende desde antes de nascer. Não foi preciso que sua avó te dissesse que as pessoas amam ou te desse de presente o amor. Igual costumam fazer com velhos ensinamentos e relíquias familiares. Ninguém precisou te ensinar como sentir o amor, você apenas começou a sentir desde os primeiros dias de vida. E com o passar dos anos foi descobrindo sozinho outras faces do amor. Amor pelos pais, pelos irmãos, pelos amigos, pelos pertences, por alguma força superior, por si, pelo coleguinha de classe que você dividia os brinquedos, por aquela pessoa do seu ciclo social que a beleza te espanta, pelo trabalho ou até mesmo pelas flores, pelo céu e pela vida. Várias formas, várias intensidades, várias faces, mas só um sentimento: o amor.
Mais redundante do que definir o amor, é falar que as pessoas amam. Cada um do seu jeito e foco, mas todos amam. Nessa minha curta e pacata vida não cheguei a conhecer alguém que falasse que não ama. Apenas os que dizem não acreditar no amor, mas até esses amam. Amam o fato de tentarem convencer aos outros que não acreditam em algo tão banal. Ou que tentam se auto convencerem, enfim. Já vi pessoas amando peculiaridades como o dinheiro e esquecendo do que realmente se deve amar, mas elas ainda assim estavam amando algo.
O amor além de tudo é estranho. Um dia te faz chorar, outro te faz rir. Traz lágrimas e sorrisos. Até faz você perder o sono ou dormir pesado querendo nunca mais acordar. Não importa o motivo, ele faz isso. E nem tem razões para você amar. Você só ama e fim. Quando você percebe, está amando. E ai de você se querer entender o porquê disso tudo... nunca vai conseguir entender. Você ama pela voz, pelo olhar, pelo abraço, pelo cheiro ou até mesmo pelo mistério. Às vezes é correspondido, outrora não. Tem amor que é certo, outros que vem e vão.
Não acredito muito na teoria de que você só pode amar uma pessoa na vida, para mim, você pode amar várias vezes. E como pode! Eu mesma já amei diversas. Só que acredito fielmente que o amor é eterno. Aquele seu namorado que há tempos não vê, que te trocou por sua melhor amiga ou por um jogo de video-game e que você jurou que nunca mais olharia na cara, você ainda ama. Claro que não com a mesma intensidade, mas você ama. Eu sei, você nunca vai admitir, nem estou pedindo isso. Mas o amor ainda está ai, eterno, mesmo que for guardado na sua memória. A lembrança de que algum dia amou aquela pessoa ou aquele momento. O amor não morre, isso pode ter certeza, ele fica guardado. Eterno, para mim, é tudo aquilo que dura o suficiente para ser intenso. E o amor é assim. Mesmo que ele seja tantas vezes controverso e irritante por ser tão imprevisível e petulante. Como seria bom se pudéssemos escolher a quem amar, talvez tudo fosse mais fácil. Ou mais chato.
No instante que você abriu os olhos pela primeira vez você ja amava sua mãe e seu pai, sem nem ao menos querer. No momento que conheceu aquela pessoa que mudou sua vida, para melhor ou às vezes até para pior, você começou a amar. Mesmo que você adore brigar com ela e ela goste de implicar com você.
Amar é tipo uma dependência ou mania, se baseia no sentimento de controle e posse. Há aquela necessidade de ter a pessoa em todo instante de sua vida, mesmo que seja apenas para ver respirando ou dormindo. A ansiedade, a angústia e a insegurança nos atormentam o tempo todo quando se trata de amor e isso é tão frustrante que eu julgo ser o motivo por muitos dizerem que não acreditam no amor. É mais fácil dizer que não acredita, do que admitir que é mais uma vítima.
Não quis definir algo que todos já sabem, na verdade, não sei direito o que eu quis atingir com isso, só quis falar sobre o amor. Outra crônica de amor como tantas outras que você encontra em qualquer canto, que te diz o que você já sabe: que existem diversos tipos de amor e que todos nós possuímos diferentes tipos de amor dentro de nós e até pela mesma pessoas e situação.
O mais importante é ressaltar que todos amam. E que muitos amores ainda estão para entrar em sua vida.
Como diria uma pessoa despreocupada com a vida: que faça a fila andar, que venha o próximo... amor.

21 de Novembro de 2010.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"When you were young and your heart was an open book. You used to say live and let live (you know you did, you know you did, you know you did). But if this ever-changing world in which we live in, makes you give in and cry... so live and let die"

Foi nessa música, Live And Let Die, que eu percebi que naquele dia, 21 de Novembro de 2010, eu estava em mais um show histórico do Paul McCartney. Nada menos, nada mais que o quarto show dele no Brasil e a terceira passagem dele pelo mesmo. A primeira em 1990, a segunda em 1993 e a terceira agora em 2010, com direito a três shows dessa vez - um em Porto Alegre e os outros dois em São Paulo. 
Foi ela que me fez perceber aonde eu estava e a grandiosidade de ser uma das 64 mil pessoas presentes no Estádio do Morumbi naquela noite. Eu estava vendo um Beatle tocar, cantar e mostrar a todos a razão dele de viver: encantar a todos. E eu não acreditava no que estava vendo, eu mal tinha reação. Era muito para a minha cabeça e pro meu coração. 
Depois de tudo que passei pra conseguir ir e ser uma daquelas pessoas... a chegada da notícia que ele voltaria para o Brasil, as milhares noites tentando convencer os meus pais de que eu queria isso mais do que tudo, os choros, a compra dos ingressos, a ida para São Paulo, a perda de um vestibular, as noites mal dormidas idealizando o show, a felicidade, a confusão com os ingressos, a estada em São Paulo, as horas esperando e as dificuldades. Ah, as dificuldades... quantas apareceram e quantas me deram dores de cabeça. Todas que me fizeram perceber que quando você quer algo, a única pessoa que pode te ajudar e fazer seus sonhos se realizarem é você mesmo. Fazer o possível, o impossível, o real e o surreal é tudo por nossa conta. Mas eu não acreditava nisso, não mesmo. Só percebi o quão o poder da perseverança é extremo ao ouvir a voz de um dos meus quatro ídolos - e de uma boa parte da humanidade - ecoar pelos meus ouvidos ao vivo. Estando no mesmo lugar que eu! Era um sonho se realizando e meu peito se enchendo de felicidade e orgulho de perceber que eu consegui estar aonde eu queria estar e como eu queria estar.
Eu não precisava mais de nada naquela noite. Estava eu, a lua cheia, música boa e a genialidade e o talento de um dos maiores mitos do rock clássico. Sem contar no carisma e na humildade de um homem de 68 anos que tem tudo para se atrever a ser arrogante, mas não é. Está longe de ser! Seu sorriso e sua animação demonstram a juventude e a ingenuidade que ele mantém por tantos anos. Dá para ver o amor e a alegria em seus olhos. 
Achei que as horas esperando, umas sete no total, iriam ser desgastantes e cansativas, mas não. Tirando uma dor localizada nas costas que carrego até hoje, que nenhum "dorflex" da vida retira, até a espera foi perfeita - o clima era todo mágico. Pessoas de diferentes idades, classes sociais, cidades e estados, padrões de vida e valores juntas parecendo que eram todas iguais. Vi desde famosos como Zeca Camargo, Lenine, José Serra e tantos outros que vemos todos os dias nos jornais, revistas, programas de televisão e páginas da internet esbanjando os camarotes e os bastidores até uma Maria Ninguém, do bairro ao lado, e o Luis Anônimo, do mercadinho, que atravessaram o país e as dificuldades com os salários mínimos contados e que sofreram horrores para conseguir pagar um ingresso, mesmo sendo o que proporcionava um lugar distante do palco que quase nem daria para ver. Mas lá, todos eram iguais, eram parte dos 64 mil sonhadores. 
Enquanto o Paul nos presenteava com "All My Loving", uma música gravada em 1963 se não me engano, eu olhava o estádio e todas aquelas pessoas cantando com os pulmões uma canção que roda décadas e continua despertando a mesma reação em todos os que escutam: a de simplicidade, harmonia e delicadeza. Não sei se era pela iluminação instalada no estádio ou pela felicidade extrema de todos que tudo brilhava. Lá eu esqueci dos meus problemas, do calor que estava me matando há horas, das dificuldades, do cansaço, da fome, dos vestibulares que se aproximam e de todo mundo. Só ele e as músicas importavam. 
Gritei junto no refrão de "Jet", "Back To USSR", "Band On The Run", "Venus And Mars", "Get Back", "Helter Skelter", "Highway" e tantas outras. Me emocionei em "Let it Be", "Hey Jude" "Yesterday", "The Long and Winding Road",  "My Love", "Something", "Blackbird", "Here Today", "A Day in The Life/Give Peace a Chance" e, claro, "Live and Let Die". Ri das piadas, mesmo programadas, contadas pelo Paul e me diverti com "Drive My Car",  "Dance Tonight" e "I've Just Seen a Face", "Obla-di Obla-da" e do português ensaiado e engraçado dele. E cantei em todas, até as que eu sabia apenas o refrão. Tanto que no meio do show olhei para o meu pai, que estava do meu lado aproveitando o show igualmente, do jeito quieto dele, mas aproveitando, e só consegui dizer "obrigada por ter me apresentado desde pequena à melhor banda de todos os tempos". 
A banda que quebrou barreiras, inovou estilos, emociona todo mundo, escreveu as músicas mais tocadas de todos os tempos e mesmo dois deles já falecidos, continuam sendo lembrados por gerações e gerações... e lotando estádios. O gosto por Beatles passou pelo meu pai e chegou até mim e temos mais de 30 anos de diferença. E toda essa diferença sumiu na hora do show. Nós dois tinhamos a mesma idade. 
Acho que depois desse dia comecei a gostar e a admirar mais os quatro 'garotos' de Liverpool que dominaram o mundo - se for possível. Mesmo só tendo visto 25% do que um dia eles foram, já foi o suficiente para considerar aquele um dos melhores dias da minha vida. Nesse dia, eu voltei a um passado que não vivi e me senti em uma completa "beatlemania". Não estava mais em 2010 e sim em meados de 1960 aproveitando cada momento e histerismo de todos os presentes. 
Foi o suficiente para perceber o poder que a música tem nas pessoas: o de superar dificuldades, de nos unir e nos fazer feliz. A querida felicidade que todos buscam conseguir, eu consegui naquela noite. As três horas de show pareceram ao mesmo tempo minutos e décadas. Cada segundo foi especial, uma lição de vida. Nos mostrando o resultado de tantas esperanças e sonhos acumulados.  
É algo que com toda certeza irei lembrar no futuro e contar aos meus netos e para quem quiser escutar sobre o dia, no auge dos meus 17 anos, no dia 21 de Novembro de 2010, que eu senti o que era a felicidade, realizei um grande sonho e fiz parte de um dos shows históricos do Paul McCartney que lotou estádios e encantou multidões. E pode ter certeza que depois desse domingo à noite, nunca mais vou ser a mesma... 

Quem eu sou.

terça-feira, 2 de novembro de 2010
Dizem que não falo de mim, que sabem muito pouco. Falam que não me defino, que me escondo. Talvez seja verdade, algo meio louco. Ou até mesmo o meu biombo. Aquele que me separa da realidade. A dura verdade.
Só que posso te adiantar que sou alguém que ama a liberdade, chora pela sinceridade, sorri com a humildade e sente a saudade. Que enxerga a vida quando ela passa, escuta o silêncio falar e conversa com a dor. Aquele que às vezes se confunde com o amor.
Sou aquela pessoa que vê o prazer de amar, desde todos como tudo. Sou a pessoa que caminha sozinha no sonho mudo. Nem sempre faz o que é certo. Quase nunca está perto.
Ando nos rastros dos que já foram para sentir o que eles sentiram, deixaram e falaram. Vou para os jardins conversar com quem não fala, mas exala. Grito nos ouvidos e nada digo.
Sou animada, exagerada e até revoltada. Nunca estou satisfeita e muito menos sou desfeita e feita. Quero sorrir o tempo todo e chorar por um estrondo. Tenho principalmente muitos sonhos e vícios indefinidos.
Gosto de ler, falar e escutar. Amo boa música e literatura. Admiro uns e detesto outros. Por dentro sou sensível, incompreendida e feliz. Quero tudo que posso alcançar. Às vezes até aquilo que não consigo. Sou alguém que não consegue se definir, só sentir.
Mas para você, quem eu sou é só quem você vê.

"Futuro"

sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Eu poderia tentar definir nesse exato momento o que a palavra "Futuro" está significando para mim, mas tudo que eu vá falar, ou melhor, escrever não vai conseguir definir de maneira certa. Nem sei se "certo" é um adjetivo que eu posso usar para falar da definição de algo que é tudo, menos certo. Eu queria pelo menos conseguir entender o peso que o "Futuro" tem na minha vida... só sei que é muito. Ou pelo menos eu acho que seja. Até nisso essa palavra me complica.
Como uma palavra, uma simples junção de seis letras, consegue ser o motivo dos meus anseios e de todo o pavor que me consome? Gasta desde minha massa cinzeta até as nervuras que se estendem pelo meu corpo ansioso. É tão arrebatadora.
Muitos dizem que o futuro é sua próxima respiração, o próximo piscar dos olhos e até mesmo o próximo passo da sua vida. Outros tentam definir como a resposta das ações do seu presente e o reflexo do que foi o seu passado. Mas não sei com quem concordar, ou se eu realmente tenho que ser à favor de algo. Acho difícil assumir um argumento definitivo sobre um fato incerto e longe do nosso conhecimento.
Se não possuímos o conhecimento, como podemos argumentar? Podemos só refletir e imaginar.
"Imaginação"... uma palavra que, para mim, tem uma ligação forte com "Futuro". É como se elas caminhem de mãos dadas em uma estrada de terra, só esperando o momento que dois caminhos irão aparecer: o da estrada e o de flores. Enquanto o "Futuro" escolhe o da estrada, a "Imaginação" continua sua trajetória no de flores, ou até mesmo, na maioria das vezes, para no de terra.
Os mais céticos dizem que não há caminho na vida que acompanhe o "Futuro" que seja cheio de flores, tem que ser o de terra. Mas os criativos acreditam no contrário. Essa comparação pode lhe parecer um tanto equivocada e infantil, mas tente acompanhar minha linha de raciocínio.

Cheguei no ponto da minha vida que tenho que decidir qual caminho tenho que seguir. Esse ponto é o tão conhecido e temido: vestibular. E eu realmente queria que os meus caminhos e escolhas se resumissem em dois apenas. Talvez eu não teria esse oceano de dúvidas ou pelo menos teria como navega-lo. Pode parecer exagerado, só que é na verdade complicado e demasiado. No ponto de escolher qual curso prestar e de fazer a tal prova que representa tanto, é que deixamos para trás aquela vida de escolhas que não eram inerentes à nós. Não digo que seja o começo da fase adulta, mas, sim, de algo parecido com a mesma. E isso me assusta... demais.
Mesmo eu tendo marcado um curso em si na ficha de inscrição, não significa que eu tenha absoluta segurança da minha escolha. Eu sei, essa insegurança ocorre com todos. É um medo geral, acontece com todos que chegam nesse ponto em um dia de suas pequenas e condensadas vidas. Se não for com todos, é com a grande maioria.
Às vezes me pego imaginando como será daqui pra frente, se tudo que eu penso acontecerá de verdade, ou se irá seguir caminhos diferentes. O que nos remete àqueles caminhos que a "Imaginação" tem que seguir, o de flores e o de terra. Já que o "Futuro" em si continua retilínio... na teoria, claro.
Tenho um pavor de pensar se tudo acontecer diferente, se eu vou conseguir aceitar. De não entrar para faculdade de Design, não me formar na mesma, não ganhar a vida desenhando e desenhando. Será que vou conseguir aceitar essa ideia?
Esse tal "Futuro" não está ao nosso alcance; não temos o menor controle sobre ele. Isto não te preocupa? Saber que o fator que conduz nossas vidas não está sob nossa moderação e nunca estará.  Não sabemos se no próximo segundo iremos chorar, ou sorrir, ou até mesmo sobreviver. Sooa tão frustrante.
Não quero me frustrar com os meus planos para o futuro. Quem sabe se eu parasse de sonhar e imaginar, isso não iria acontecer?! Só que não consigo. Se eu não sonhar e não pensar no amanhã, não terei motivos para viver o hoje. Estou presa nesse ciclo.

Fugindo um pouco da reflexão, da subjetividade e do medo, vamos à ansiedade e para daqui duas semanas: o dia que começam os meus vestibulares. Esses são tão assustadores quanto a palavra "Futuro". Pensar que lá verei o resultado de toda minha vida estudantil e o acesso à uma vida nova, a de escolhas e realizações. Até então tudo que faço e decido não é inerente apenas a mim. A partir desse dia o que vier será consequências dos meus próprios atos. Muito assustador.
Para não prolongar mais, deixo aqui minhas palavras que juntas formam um resumo da minha crise pseudo existencialista. Enquanto isso, continuo imaginando o que será do meu futuro e do meu vestibular com a ansiedade em uma mão e o medo em outra.

A culpa é nossa.

domingo, 3 de outubro de 2010

Hoje, 3 de Outubro de 2010, é o dia das eleições para Presidente, Governadores, Senadores e Deputados e é só falar em política no Brasil que já é motivo de risada ou desinteresse. O argumento de que nenhum candidato presta e que o voto não mudará nada é tão reticente que chega a me dar asco. É mais fácil assumir que foi criado para não se interessar por política e que é totalmente alienado do mundo político. Mas tudo é consequência de um longo processo alienado. Há anos vivemos sob um governo que não nos deixa entender o que acontece nesse mundo paralelo e misterioso. Suponho que tudo isso começou desde que aconteceu o golpe militar para iniciar a ditadura... ou um pouco depois com o Collor. Mas que seja, desde um certo instante todos os brasileiros resolveram não ligar para o que acontece na política, sendo taxada de "algo desinteressante e roubado", realmente é roubado, mas por culpa de todos que julgam desinteressante. Um raciocínio tão lógico e deprimente.
Hoje, quando fui votar, escutei uma pessoa dizendo ao respectivo cônjuge "votei na Dilma, ela vai ganhar mesmo". Olhei bem para o cidadão e notei que aparentava ter no mínimo 30 anos a mais que eu e pelo jeito uns 100 anos de noção cívica a menos. O problema não é apoiar um candidato de um partido que, no meu ver, é totalmente repugnante, e sim não ter o mínimo de opinião. E ainda tinha uma criança, que julgo ser o filho do casal, junto. Que bom exemplo, não é?! Com certeza essa pergunta não precisa de resposta.
Não quero fazer um texto defendendo um partido em questão ou qualquer coligação, pelo contrário. Não importa agora quem você apoia, o voto é secreto e íntimo mesmo. Quem eu votei e deixei de votar na urna apenas interessa a mim e representa os meus pensamentos, meus valores e meus planos como cidadã brasileira... pena que nem todo mundo pensa assim.
Dois terços da população não sabem o que um Senador faz no Senado. Muito menos o que um Presidente e um Governador fazem ou deixam de fazer. E vou te contar um segredo: esses dois terços não querem nem saber. Um Senador representa o seu estado, ou seja, representa você em um tipo de parlamento. Ele zela pelos seus direitos constitucionais, julga o Presidente e analisa projetos de leis. Um deputado, que seja Federal ou Estadual, aprova as leis. Um Governador nem se fala... ele é que é o responsável por onde você mora e por onde você vai. Se você estuda em uma escola boa ou tem alimento em estoque na sua casa. Eles são você e o seu mundinho. E você ainda tem coragem de assumir que não entende nada de política, ou pelo menos de assumir que não se interessa por isso.
Aquele modelo antigo de revoltas desde a colonização até depois do ínicio da República deixam um pouco de saudades. As pessoas, mesmo monopolizadas seja pela mornaquia ou pelas oligarquias, sabiam o que estava acontecendo com o lugarzinho delas e queriam mudanças. Mesmo não conseguindo, vendo que nenhuma revolta brasileira deu resultados. Até a Farroupilha que envolveu pessoas de classes mais elevadas não deu em nada, aonde que uma revolta de negros e campesinos daria alguma coisa, como na revolta da Vacina? Mas ninguém pode falar que eles não tentaram. Eles queriam mudar.
E os anos a frente desses, meu povo? Há algum almejo por mudanças no coletivo? Não, apenas elites apoiando um partido que seja contra a pobrada e a pobrada não tendo o conhecimendo suficiente para apoiar algum partido que proporcione melhoras. O que nos remete a grande necessidade da Bolsa Família. Eles precisam dela, eles não possuem conhecimento para quererem mais. E ninguém faz nada para mudar isso.
Não estamos apenas monopolizados por uma coligação específica - que nem preciso citar para que vocês saibam qual seja - estamos por todas. Elas sabem bem que nós, a população brasileira no geral, não sabemos o que está acontecendo e não faremos nada para mudar. E o que eles fazem? Continuam com a mesma forma de mandato que tinhamos na época da escravatura - no sentindo metafórico, é claro. Enquanto eles mandam, nós fazemos. E não há como mudar, até que haja uma lei Áurea que nos liberte dessa condição miserável de subordinados.
Imagino os livros de história nos anos 3000 citando a partir de 1990, mais ou menos, como uma época de pura alienação política por parte da população e realmente quero que nessa época já seja diferente.
Espero que até lá a população perceba o quão ignóbeis elas são não participando dos próprios interesses. Espero que nessa época, não apenas o voto seja obrigatório, mas como saber como votar seja também. Espero que nesses anos 3000 alguém pergunte a um adolescente sobre o governador do seu Estado e ele saiba responder do mesmo jeito que sabe o que o seu ídolo musical faz ou deixa de fazer. Espero que as pessoas de classes menos favorecidas apoiem quem realmente faça o melhor não só para eles, como para todos - já que vivemos na dita democracia. E que a elite pense igual. Espero realmente que tudo seja diferente, que política seja matéria obrigatória tanto nas escolas como na cabeça das pessoas. Espero que a alienação política seja algo em que os filhos dos nossos bisnetos irão pensar como algo ultrapassado e totalmente repugnante. Espero que não tenha mais políticos que usam e abusam do dinheiro público por saberem que mesmo com escândalo, ninguém irá fazer nada e vão continuar elegendo - vide Maluff, Collor e Valdermar da Costa Neto - já que as pessoas vão saber que neles não se vota. Espero do fundo do meu coração que tudo seja diferente, já que por enquanto tudo vai continuar na mesma hipocrisia e ignorância. Mas para isso acontecer precisamos de mudanças e disso eu não sei o que esperar.
Até essa revolução milagrosa acontecer nós continuamos como estamos, com PIB (quantidade de dinheiro) em 5º lugar e o IDH (condições de se viver) em 70º - o que nos mostra o quão somos enganados - e nossa educação e saúde se igualarem com as de países que mal tem dinheiro nos próprios bolsos, quem dirá no cofre federal, e morrem de doenças banais.
Então, pessoa da mesma seção eleitoral que eu e que votou na Dilma hoje de manhã, nos vemos no segundo turno para você poder votar mais uma vez sem ter a mínima noção do que está fazendo, igual a milhões de outras pessoas. Esse é o nosso Brasil e a nossa culpa. 

Eu consegui, eu vivi.

domingo, 19 de setembro de 2010
Às vezes estamos tão longe que sentimos falta até do vento, da grama e dos inimigos. A saudade parece tão grande que nem sabemos o porquê de termos partido. Tudo é tão difícil... 
Difícil. Essa palavra descreve tanta coisa, não é?! Enfrentar os problemas é difícil, mas no fim sempre conseguimos. Conseguir, outra palavra, mas essa descreve sensações. Sabe aquela sensação de frio na barriga e sorriso dos olhos que temos quando realizamos algo que parecia tão impossível antes? Eu chamo de conseguir. Ela é semelhante à Felicidade. Não dizem que a felicidade está em momentos? E quando conseguimos resolver algum problema nesse momento ficamos felizes. 
Mas nem sempre tudo é tão simples, parece que nunca vai acabar. Só que sempre acaba, felizmente ou infelizmente. O minuto acaba, a hora acaba, o dia acaba, o ano acaba e a vida acaba. Não gostamos de pensar nisso, eu sei. Ninguém gosta, mas é a verdade: a vida acaba. E levaremos da nossa vida quem somos e o que fizemos. E aquela bolsa que compramos depois de tanto juntar dinheiro ou aquela roupa que ganhamos? Elas não vão junto. É aí que percebemos como temos que aproveitar os momentos, a vida. Aproveitar a vida é fácil? Acho que não, na verdade tenho certeza que não é. Nada é fácil, muito menos a nossa vida. Mas se fosse fácil não teria graça. Qual seria a graça de viver um dia após o outro, de dormir para acordar no dia seguinte, de ter coragem e assumir desafios se tudo fosse tão fácil? Nenhuma. Aproveitar a vida é algo que tanta gente diz tantas vezes, mas acho que nunca sabemos o que é até perceber que estamos aproveitando. Mas aproveitar não é sinônimo de alegria. Envolve muito mais, assim como tristeza, solidão e saudades. Ah, a saudades de novo. Todos nós sempre sentimos saudades de coisas. Coisas tão insignificantes na maioria das vezes, mas coisas tão importantes em outras. Por exemplo saudades da família, dos amigos e até mesmo da nossa casa. Reclamos tanto dela, mas é lá que nossa vida está alojada. Nossa vida é muito importante, logo o lugar que ela se encontra também é. 
Só que nem sempre temos tudo que queremos, certas vezes sonharemos com alguma coisa e quando abrimos os olhos vemos outra. Isso dá uma angústia sem tamanho. E a insegurança então? Ela é tão terrível, nem sei o que dizer dela. Ela vem, nos ataca e nos deixa com medo. Não gosto de medo, mesmo sabendo que sentimos muito dele. Ele está sempre conosco e parece ser tão devastador. Se soubéssemos o quanto ele nos faz crescer... talvez pariamos de tê-lo. Mas isso é impossível, todo mundo sente medo. Medo é comum! Não significa que deixaremos de lutar por apenas ter medo de enfrentar. 
Por trás de todo esse medo tem algo tão diferente e tão parecido ao mesmo tempo: a realização. A realização emocional ou física. Sabe aquele friozinho na barriga que você tem logo após fazer algo certo? Essa é a realização. Só que é difícil saber quando algo é certo... eu sei disso. Eu acho que na verdade nada é certo, as coisas só parecem ser menos erradas. E muitas vezes não sabemos distinguir, isso é normal, mas muito complicado. Temos que viver para saber se o que fizemos foi menos errado. 
Viver, que verbo lindo. Todos querem viver bem, ter momentos para contar aos netos e para quando tivermos 80 aninhos poder sorrir e dizer "eu consegui, eu vivi". Só que para tudo isso precisamos aproveitar coisas novas, não conseguiremos e não viveremos nada se ficarmos parados e pedindo sempre ajuda. Precisamos apenas de nós mesmos e da nossa força de vontade. 
Mas e quando estamos longe? Como vamos aguentar a saudades? Chorando e sorrindo logo após. Ou até mesmo olhando para o céu e vendo que o sol tem o mesmo tamanho em qualquer lugar que estejamos. Isso não é incrível?! Não parece que estamos menos longe de quem estamos pensando?! Eu acho. 
Alguns acham que passar por tudo isso e sentir todos esses sentimentos é muito difícil, mas no fim eles vão continuar sendo as mesmas pessoas, não irão crescer. Irão ser eternamente aqueles que não podem pensar que se algo não deu certo, eles nem, pelo menos, tentaram. Diferente de alguém que pegou a oportunidade, a enfrentou, viveu a aventura, passou por tudo isso e sobreviveu feliz por ter realizado tanta coisa sozinho...


(Esse texto é em homenagem à uma amiga muito especial que está longe por um ano... saudades, Má :]) 

Sonho egoísta.

terça-feira, 14 de setembro de 2010
Uma pessoa tem um sonho... ela não é a única. Junto com ela moram mais pessoas e elas também têm sonhos. Perto dessas pessoas moram outras pessoas que, de novo, também sonham em realizar ou ter algo. Os lugares que essas pessoas frequentam são frequentados por outras pessoas sonhadoras. Esses lugares fazem parte de um complexo de vários lugares aonde há pessoas e todas com um sonho.
Todo mundo sonha com algo. Todo mundo mesmo, às vezes até com as mesmas coisas que você. Seus pais sonham muitas vezes em você se tornar uma pessoa respeitável, educada, bem-sucedida e feliz. Seus irmãos, na maioria dos casos, apenas querem ser alguém na vida - igual você, eu suponho. Seus vizinhos sonham com alguma coisa que muitas vezes você nem deve imaginar o que seja e nunca nem vai ficar sabendo - mesmo eles estando tão perto de você. Seus amigos sonham com coisas que você até sabe o que seja, mas não tem ideia da intensidade. Seus colegas do dia-a-dia imaginam conseguir algo que você pode até ficar sabendo um dia, mas não dará muita importância - não te interessam mesmo.
A sua cidade está repleta de sonhos, logo seu estado, país e continente estão também. O mundo está cheio de pessoas sonhadoras, umas 7 bilhões mais ou menos. Já parou para pensar em quantos sonhos há perto de você?
Imagino que você não faz ideia de qual seja o sonho da maioria das pessoas que te cercam. Você realmente tem certeza que os seus avós sempre sonharam apenas em constituir família saudável? Será que eles não pensaram um dia sequer em serem pessoas totalmente diferentes? Em viajar pelo mundo, serem famosos ou até mesmo em quebrar padrões? Isso, igualzinho com o que você sonha. Olha que eles são de décadas antes de você. Mas sonhos são sempre sonhos.
E os seus amigos, hein?! Você pode saber que eles sonham em serem respeitáveis médicos, ótimos atores, excelentes escritores ou até mesmo apenas ricos. Mas você não tem idea do grau que isso tem na vida deles. Muito menos daquelas pessoas que você vê, sempre passam por você e trocam algumas palavras. Elas sonham também e como sonham. E aquelas que você não conhece? Elas nem existem se você nunca as viu, mas elas sonham e muito.
Alguém que mora na sua cidade, que você nunca viu na vida, sonha também. Até alguém de outra cultura e país sonham! Mas eles vivem tão longe de você, como você iria imaginar? Alguém de outra classe social também, nunca se esqueça disso. Eu sei, eu sei, nós nunca pensamos neles.
Um tailandês de 23 anos pode estar nesse exato momento se revirando na cama imaginando como será quando se formam na faculdade e uma criança miserável africana de 5 anos pode estar agora almejando o dia que terá um prato de comida, saúde, família estável e uma casa confortável, mesmo ela sendo apenas uma criança que deveria só querer brinquedos... sem você nem saber da existência delas e de seus sonhos.
Há tantas pessoas na sua vida e muito mais fora dela que não apenas sonham, mas vivem de variadas formas enquanto você está aí preocupado apenas com o seu sonho egoísta que parece ser o mais importante e difícil de se realizar e com sua vida simples que você acha ser a única do mundo. E nem ao menos percebe que você é apenas mais um que vive e sonha, não o único, nesse imensurável mundo de sonhos e vidas.